Famílias iranianas enfrentam sérias dificuldades para adquirir produtos de primeira necessidade diante do aumento da pressão econômica exercida pelos Estados Unidos sobre o Irã, conforme reportado pela agência de notícias Associated Press.
Embora o governo de Teerã negue que a guerra econômica declarada por Washington impacte a nação, diversos relatos indicam que a população civil está atravessando um período de forte instabilidade financeira.
De acordo com a AP, o desemprego apresenta forte alta. Aqueles que permanecem no mercado de trabalho relatam jornadas mais extensas por salários que equivalem a metade do valor recebido há um ano. Esse cenário torna alimentos e medicamentos cada vez mais inacessíveis, com exceção da gasolina, que conta com fortes subsídios governamentais.
“Praticamente desistimos de muitas coisas. Cortamos as frutas, cortamos as proteínas, abrimos mão do lazer e até trabalhamos nos fins de semana”, afirma Ahmad Karimi, de 52 anos. Taxista e pai de dois filhos, Karimi trabalha 15 horas por dia para sustentar sua família.
Em outro relato, uma mãe de dois filhos do norte do Irã utilizou a rede social X para mostrar a compra de itens básicos, como leite, ovos e papel higiênico, evidenciando a ausência de carne no carrinho. O custo da compra foi de 89 milhões de riais, aproximadamente US$ 65, o que equivale a R$ 337,00.
A inflação de alimentos é severa: o preço do arroz subiu 60% e a carne bovina registrou alta de 150% desde o início do conflito econômico.
Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicam que a inflação no Irã poderá atingir quase 70% até o fim do ano, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) do país deve encolher mais de 5%.
“Comprar itens de primeira necessidade se tornou nossa principal prioridade, e nossa cesta de compras ficou menor e mais limitada”, lamentou um homem de 41 anos à Associated Press, que preferiu manter o anonimato por receio de represálias.
A estratégia, descrita por Donald Trump como a “operação econômica mais esmagadora” já realizada contra um país, foi anunciada na quarta-feira (19). O presidente dos Estados Unidos manifestou a expectativa de que seus aliados trabalhem para “isolar” e “derrotar” a “ameaça iraniana”, ameaçando punir nações que auxiliem a economia do Irã, embora não tenha detalhado as sanções.
Em resposta, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou na quinta-feira (20) que o “Dia D Econômico” dos EUA é apenas uma tentativa de desviar a atenção dos problemas econômicos internos americanos, alertando que a pressão resultaria em “mais derrota” para os Estados Unidos.
Após quase seis meses de conflito, a economia iraniana sofre impactos profundos devido às sanções e ao bloqueio naval, que dificultam a exportação de petróleo, o principal ativo do país. Contudo, devido ao histórico de sanções ocidentais, o Irã desenvolveu mecanismos para contorná-las parcialmente.
“A capacidade de resistência do Irã não apenas evita o colapso, como também impede que o sofrimento econômico se traduza na pressão política e nas mudanças que os EUA esperam”, analisa Hadi Kahalzadeh, especialista em economia iraniana da Universidade Brandeis.
Com informações do G1