Greve de bancários paralisa agências no interior de SP; veja as pautas

Os profissionais bancários das regiões de Araraquara e São Carlos, no interior de São Paulo, aderiram a uma greve nacional nesta quinta-feira (20), resultando na paralisação das atividades em diversas agências. A mobilização, com duração de 24 horas, ocorre como reação à proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), a qual foi recusada pela categoria durante as negociações da Campanha Salarial de 2026.

As principais demandas dos trabalhadores incluem a concessão de um aumento real nos salários, ou seja, um reajuste que supere a inflação do período, além da valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). A categoria também solicita a atualização dos valores dos vales-alimentação e refeição, bem como a implementação de melhorias nas condições de trabalho.

Questionada, a Fenaban, entidade que representa as instituições financeiras em negociações trabalhistas há 34 anos, informou que a pauta de reivindicações referente ao ciclo salarial deste ano foi recebida no dia 24 de junho. “As negociações seguem o cronograma estabelecido, e esperamos, ao longo desse processo, alcançar um entendimento satisfatório para ambas as partes”, declarou a federação.

Embora as agências físicas tenham fechado as portas, os clientes podem utilizar os caixas eletrônicos para operações de saque e depósito, que seguem operando normalmente. Além disso, os canais digitais, como internet banking e aplicativos móveis, permanecem disponíveis para a população.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas do Ramo Financeiro de Araraquara e região, a insatisfação da categoria decorre não apenas da falta de uma proposta econômica satisfatória, mas de medidas que, segundo a entidade, prejudicam a unidade dos trabalhadores. Entre os pontos contestados estão a criação de três faixas distintas de reajuste salarial, a possibilidade de redução de benefícios para cidades do interior e estados menores, e o congelamento do piso salarial para novos contratados.

A proposta da Fenaban foi rejeitada por 97% dos bancários em assembleias nacionais realizadas na última segunda-feira (20), enquanto a paralisação foi aprovada por 90% dos votantes. O sindicato ressalta que a pauta também abrange a defesa dos postos de trabalho, o combate à precarização laboral e a manutenção da rede de atendimento físico, combatendo o fechamento de agências.

“A paralisação é, portanto, um instrumento de pressão diante da falta de avanços nas negociações. Os bancários reivindicam uma proposta decente, que não divida a categoria, não retire direitos e reconheça a contribuição dos trabalhadores para os resultados bilionários do sistema financeiro”, afirmou o Sindicato de Araraquara.

Em Araraquara, 16 das 17 agências da cidade aderiram ao movimento, incluindo unidades do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú, Bradesco, Santander e Mercantil. Já em São Carlos e cidades vizinhas, como Américo Brasiliense, Ibaté e Pirassununga, 38 agências do Banco do Brasil e da Caixa paralisaram as atividades.

Lauriberto Viganon, presidente do Sindicato dos Bancários de São Carlos, avaliou a ação como positiva para pressionar a gestão bancária. “Atingiu nosso objetivo porque esse dia de hoje foi apenas uma resposta que a gente está dando para o banqueiro para eles apresentarem uma resposta que seja louvável, que seja boa, para a gente discutir entre nós se aceita ou não. A nossa paralisação foi boa, abrangeu muitas cidades, então para nós foi positiva”, afirmou.

O dirigente alertou ainda que a categoria pode evoluir para uma greve por tempo indeterminado caso não haja avanços. “A nossa proposta é que os banqueiros reponham a inflação do período mais 5% de aumento real, mas, por enquanto, não tivemos nada. Zero de proposta”, concluiu Viganon.

Com informações do G1

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