Uma nova análise do Instituto Centro de Vida (ICV) revela que a grande maioria do desmatamento na Amazônia e no Cerrado ocorre sem a devida autorização ambiental. Entre agosto de 2008 e julho de 2024, 86% dos 26,4 milhões de hectares desmatados não possuíam licença para supressão de vegetação nativa.
Na Amazônia, a situação é ainda mais crítica: 96% dos 11,7 milhões de hectares desmatados no período não tinham autorização. O desmatamento não autorizado está concentrado em poucos municípios, com Altamira, São Félix do Xingu e Porto Velho respondendo por 13% do total.

No Cerrado, embora a proporção seja menor (78% sem ASV), a área absoluta é significativa: 11,7 milhões de hectares desmatados ilegalmente. A fiscalização também é menos intensa no Cerrado, com apenas 8% do desmatamento sobreposto a áreas embargadas, em comparação com 46% na Amazônia.
A análise do ICV, em parceria com a Trase e a UFMG, utiliza dados de ASVs e do PRODES para identificar áreas de risco e auxiliar empresas e governos a fortalecer a gestão do risco e a fiscalização, visando cadeias de suprimentos mais transparentes e legais.
O estudo aponta que a falta de transparência e integração de dados sobre ASVs dificulta a verificação da conformidade legal e a identificação de áreas desmatadas ilegalmente. A iniciativa do ICV busca preencher essa lacuna, tornando a informação mais acessível e permitindo uma melhor fiscalização e gestão ambiental.
Com informações do Portal Amazônia.