O município de Autazes, a cerca de 112 quilômetros de Manaus, pode se tornar o centro da maior mina de potássio do Brasil. O projeto da empresa Potássio do Brasil prevê a extração de silvinita a 800 metros de profundidade, com capacidade para produzir 2,4 milhões de toneladas de fertilizantes por ano, suprindo cerca de 20% da demanda nacional e reduzindo a dependência de importações.
Apesar do potencial econômico e da promessa de milhares de empregos, o empreendimento enfrenta forte resistência jurídica. O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com ação para cancelar o licenciamento, alegando que a área se sobrepõe a territórios do povo indígena Mura. “A atividade de mineração em terra indígena é inconstitucional, ou seja, a sobreposição do Projeto Autazes a essa terra indígena sequer pode ocorrer”, afirmam os procuradores.

Além do conflito territorial, há preocupações ambientais graves, como o risco de salinização de rios e afundamento do solo. O MPF cita exemplos de colapsos de minas na Rússia e em Maceió (AL) para alertar sobre os riscos. Em contrapartida, a mineradora defende que o impacto será mínimo, alegando que a extração ocorrerá em áreas de pastagem, com “desmatamento zero”.
A disputa agora gira em torno de quem deve licenciar a obra: o órgão estadual (Ipaam) ou o federal (Ibama). Enquanto o MPF aponta irregularidades e suspeitas de manipulação em consultas comunitárias, a Potássio do Brasil afirma que o TRF1 já confirmou a competência do Ipaam e a legalidade do processo de consulta junto ao Conselho Indígena Mura.
O interesse no projeto é estratégico para o agronegócio brasileiro. Toda a produção anual já foi comprada pelo grupo Amaggi, evidenciando a pressão do setor agrícola para viabilizar a extração do mineral no Amazonas, mesmo diante dos impasses socioambientais e judiciais.
Com informações do Portal Amazônia.