O Banco Central Europeu (BCE) deu um passo decisivo nesta terça-feira (23) ao conquistar o apoio do Parlamento Europeu para a implementação do euro digital. A iniciativa visa criar um meio de pagamento eletrônico oficial que diminua a dependência da zona do euro em relação a sistemas de pagamento controlados por empresas dos Estados Unidos, como Visa e Mastercard.
O euro digital funcionará, na prática, como uma carteira eletrônica garantida diretamente pelo banco central. A distribuição desse recurso será feita por meio de bancos comerciais ou fintechs, permitindo que todos os residentes da zona do euro realizem pagamentos tanto em ambientes virtuais quanto em lojas físicas.
O projeto, que já está em desenvolvimento há seis anos, ganhou um novo senso de urgência com o cenário político nos Estados Unidos. O retorno de Donald Trump à Casa Branca, marcado pela imposição de tarifas comerciais inclusive sobre parceiros da União Europeia, acendeu um alerta em Bruxelas. Existe o temor de que o domínio americano sobre as redes de pagamento globais possa ser utilizado como ferramenta de pressão política ou econômica no futuro.
A aprovação do projeto de regulamentação pela comissão de economia do Parlamento Europeu encerra um ciclo de três anos de intensos debates. Durante esse período, instituições bancárias manifestaram preocupação com a possível migração de depósitos dos clientes para a moeda digital do BCE, o que poderia resultar em perda de receitas e instabilidade na liquidez dos bancos tradicionais.
De acordo com o texto do projeto de regulamento, “A introdução do euro digital reduziria a dependência excessiva de provedores não europeus ao se tornar um meio de pagamento pan-europeu e levaria a moeda única à era digital, dando aos cidadãos da União a liberdade de optar por pagar com dinheiro do banco central em suas transações diárias”.
Apesar do avanço, a proposta ainda enfrenta resistências. Siegbert Frank Droese, integrante do grupo de extrema direita “Europa das Nações Soberanas”, confirmou que sua bancada votou contra a medida, o que abre caminho para a possibilidade de uma nova votação em plenário.
Se não houver novas objeções, as negociações entre os parlamentares, os governos da União Europeia e a Comissão Europeia devem começar no próximo mês. O objetivo é que a aprovação final ocorra até o fim deste ano. O cronograma do BCE prevê a realização de um projeto-piloto de 12 meses a partir do segundo semestre do próximo ano, com o lançamento oficial e completo previsto para 2029.
Com informações do G1