O Brasil registrou um superávit na balança comercial de US$ 9,8 bilhões em junho, conforme dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta sexta-feira (3). O resultado, que ocorre quando o valor das exportações supera o das importações, representa um crescimento de 66% em comparação ao saldo de US$ 5,9 bilhões registrado no mesmo mês do ano anterior.
De acordo com o governo, as exportações brasileiras somaram US$ 36,3 bilhões em junho, apresentando uma alta de 24,9% na média por dia útil. Este valor marca o maior volume de exportações já registrado na história para qualquer mês. No mesmo período, as importações totalizaram US$ 26,5 bilhões, com crescimento de 14,4% na média diária, alcançando o melhor resultado da série histórica para o mês de junho.
No acumulado do primeiro semestre, o saldo comercial permanece positivo em US$ 42,4 bilhões, o que representa uma alta de 40,3% em relação aos US$ 30,2 bilhões do mesmo período do ano passado. Entre janeiro e junho, as exportações totalizaram US$ 184,8 bilhões (alta de 11,5% por dia útil), enquanto as importações somaram US$ 142,4 bilhões (alta de 5,1% por dia útil).
O MDIC atribui o desempenho de junho ao aumento nas vendas de petróleo bruto, aeronaves e combustíveis. O preço desses produtos, especialmente os combustíveis, foi impulsionado pelas instabilidades geopolíticas e a guerra no Oriente Médio. A China segue como o principal destino dos produtos brasileiros, com US$ 12,2 bilhões, seguida pela União Europeia (US$ 4,8 bilhões) e pelos Estados Unidos (US$ 3,4 bilhões).
Apesar do crescimento de 3,7% nas vendas para os Estados Unidos em junho, o cenário futuro gera preocupação. O governo de Donald Trump ameaça aplicar tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros, o que poderia afetar um volume de US$ 15 bilhões em exportações, segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil.
Em resposta, o Brasil encaminhou um documento assinado pelo chanceler Mauro Vieira para evitar a imposição dessas tarifas. O governo brasileiro rebateu acusações de práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os americanos, afirmando que críticas ao sistema PIX e a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) não possuem relação com a pauta comercial, tratando-se de divergências sobre políticas internas.
Para o fechamento do ano, o governo atualizou as projeções e estima que o superávit comercial chegue a US$ 90 bilhões, o que seria o segundo melhor resultado da história. A perspectiva é que as exportações somem US$ 394,4 bilhões e as importações alcancem US$ 304,4 bilhões.
Com informações do G1