O ministro da Fazenda, Dario Durigan, manifestou-se favorável a abrir discussões sobre possíveis ajustes na metodologia de cálculo da inflação no Brasil. Segundo o ministro, há evidências de que a lista de itens utilizada para medir a alta de preços está defasada em relação aos hábitos de consumo atuais da população.
Em entrevista concedida a um podcast da Warren Investimentos, gravada na sexta-feira (12) e divulgada nesta segunda-feira (15), Durigan argumentou que o modelo vigente atribui pesos excessivos a produtos e serviços que perderam relevância, enquanto negligencia novos gastos essenciais da era digital.
“O nosso modelo, por exemplo, dá peso para coisas que hoje não têm mais o peso que tinham anteriormente, e coisas que hoje têm peso, assinatura de streaming, serviço de nuvem às vezes já pesam muito mais do que algo que estava na metodologia há décadas”, afirmou o ministro.
Além da revisão do índice de preços, Durigan demonstrou interesse em aprimorar a transparência do boletim Focus, relatório semanal do Banco Central que consolida as projeções do mercado financeiro para a inflação, a taxa de juros e o crescimento do PIB.
Sobre a política monetária, o ministro garantiu que não pretende alterar a meta de inflação, fixada atualmente em 3%. Ele observou, porém, que o conceito de meta de inflação contínua — modelo em que o objetivo é mantido permanentemente, e não apenas em janelas de tempo específicas — ainda não foi totalmente compreendido por estudiosos e pela sociedade.
Ao analisar o patamar elevado dos juros no país, Durigan destacou que a volatilidade do câmbio e o baixo nível de poupança interna dificultam a queda das taxas. “A questão da poupança é um elemento importante, a volatilidade no mercado de câmbio brasileiro é outro mecanismo que a gente ouve muito, ainda que não se diga muito isso, tem um prêmio de risco que o Brasil tem que pagar para garantir alguma estabilidade”, explicou.
O ministro reconheceu a conexão direta entre a política fiscal e os juros da economia, defendendo a necessidade de conter o crescimento das despesas obrigatórias para viabilizar novos investimentos públicos.
Durigan reiterou que o governo lutará contra a aprovação de chamadas “pautas-bomba” no Congresso Nacional. Essas propostas, com alto impacto fiscal, poderiam pressionar a inflação, elevar a carga tributária e encarecer os juros. O ministro alertou que, caso sejam aprovadas, o governo poderá vetar as medidas e acionar o Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com estimativas da equipe econômica do Ministério da Fazenda, projetos em tramitação no Legislativo — como a renegociação de dívidas rurais, o aumento do teto do Simples Nacional e a elevação de pisos salariais — podem gerar um custo extra de R$ 111 bilhões por ano para as contas públicas.
Com informações do G1