Frigoríficos na Amazônia Legal: risco de desmatamento ameaça exportações

Uma análise recente do Radar Verde revelou fragilidades críticas em 72 plantas frigoríficas da Amazônia Legal habilitadas a exportar carne bovina para o Oriente Médio e Norte da África (região MENA). O levantamento aponta que nenhuma dessas plantas demonstrou controle efetivo sobre as fazendas fornecedoras indiretas, etapa crucial para evitar que gado proveniente de áreas desmatadas entre na cadeia produtiva.

Os dados são alarmantes: 43 das plantas analisadas possuem baixo nível de controle e 29 apresentam controle muito baixo. Juntas, essas unidades representam cerca de 58% da capacidade total de abate na Amazônia Legal, evidenciando um gargalo de rastreabilidade que pode comprometer a imagem do setor no exterior

Análise verifica relação com desmatamento. Imagem: Divulgação

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A exposição ao risco é especialmente alta em estados como Rondônia, Pará, Mato Grosso e Acre, onde as zonas de compra de gado são mais amplas. O estudo destaca que, embora haja controle sobre fornecedores diretos em 35% da capacidade de abate, a falta de evidências públicas sobre as etapas anteriores da produção mantém a cadeia vulnerável.

Essa fragilidade ocorre em um momento estratégico, já que as exportações para a região MENA somaram US$ 1,79 bilhão em 2025, representando 10% do total brasileiro. Com a introdução de cotas tarifárias na China, esses mercados tornaram-se a principal alternativa para a carne brasileira em 2026.

Para mitigar os riscos, o Radar Verde sugere que importadores e fundos soberanos priorizem empresas com “política pública de desmatamento zero” e maior transparência. A recomendação é que empresas com desempenho inferior apresentem planos de melhoria e metas anuais para ampliar o controle sobre a origem do gado.

Como solução estrutural, o relatório defende a melhoria no acesso às Guias de Trânsito Animal e a integração do SISBOV ao Cadastro Ambiental Rural (CAR). Tais medidas visariam fortalecer a credibilidade da carne brasileira, unindo a certificação halal a padrões rigorosos de rastreabilidade socioambiental.

Com informações do Portal Amazônia.

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