O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou novas críticas nesta segunda-feira (14) em relação aos pedidos de líderes de empresas de inteligência artificial (IA) para que o ritmo de desenvolvimento da tecnologia seja reduzido.
Trump afirmou que tais apelos fazem parte de uma “conspiração doentia” que acabaria beneficiando a China, principal rival geopolítico dos EUA e competidora direta no avanço da IA.
O debate público sobre o tema ganhou força no último fim de semana, após dois pesquisadores da Anthropic alertarem que a evolução acelerada da tecnologia poderia, em um futuro próximo, levar à extinção da raça humana. O presidente norte-americano rebateu esses alertas, indicando que não pretende perder a corrida tecnológica para os chineses.
“Há uma conspiração DOENTIA em curso contra a IA e os Data Centers, e a única que fica feliz com isso é a China”, escreveu o presidente em sua rede social, Truth Social.
Na mesma publicação, Trump defendeu as ferramentas regulatórias que os Estados Unidos já implementaram para monitorar a evolução da IA. “O governo Trump impediu que o pessoal da IA fizesse ‘coisas’ ruins ou potencialmente prejudiciais — como Dario (da Anthropic!), que agora finge ser um ‘anjinho perfeito’ — e continuaremos a fazer isso! Já temos um enorme poder CRIMINAL e REGULATÓRIO sobre essas empresas!”, declarou.
As declarações referem-se a Dario Amodei, CEO da Anthropic, que defendeu em artigo publicado no sábado (12) a desaceleração no desenvolvimento de modelos de IA. Trump acrescentou ainda que “a única razão para o surto de IA/Data Centers estar acontecendo é porque os Estados Unidos estão liderando, com folga, todos os outros países. Não matem a galinha dos ovos de ouro!”.
Paralelamente, a China também demonstrou preocupação. O chefe da Inteligência chinesa alertou nesta segunda-feira que a IA pode ameaçar a segurança nacional do país, alegando que potências estrangeiras poderiam utilizar a ferramenta para desestabilizar a ordem social.
O ministro da Segurança do Estado chinês, Chen Yixin, afirmou que “forças hostis” utilizam tecnologias generativas de IA para “fabricar rumores políticos e espalhar informações prejudiciais”. Segundo ele, tais ações representam “guerras de opinião pública e guerras cognitivas contra a China, ameaçando diretamente nossa segurança política, institucional e ideológica”.
Este cenário ocorre às vésperas de um encontro em Washington entre o líder chinês, Xi Jinping, e Donald Trump. A reunião deverá focar na governança e segurança da IA, em um momento de pressão global por controles mais rígidos.
No domingo, Trump já havia classificado os críticos da IA como “forças muito negativas” que criam cenários irreais. Ao ser questionado sobre a necessidade de maior regulamentação ou desaceleração da indústria em seu campo de golfe na Irlanda, ele enfatizou a importância da liderança americana.
“Estamos liderando em relação à China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero manter assim porque quem vencer na IA, vence tudo […] Poderíamos colocar barreiras de proteção. Podemos fazer isso e aquilo. Mas acho que há muitas forças muito negativas que estão trazendo esse assunto à tona quando não deveriam, e estão levantando coisas que não vão acontecer”, concluiu o presidente.
Com informações do G1