O governo do Acre decretou situação de emergência devido à seca severa e ao risco iminente de desabastecimento de água em todo o estado. A medida, assinada pela governadora Mailza Assis, tem validade de 180 dias e visa coordenar ações da Defesa Civil para prevenir os impactos da estiagem, que deve ser agravada pelo fenômeno El Niño no segundo semestre.

O decreto autoriza despesas emergenciais para a manutenção de abrigos e fornecimento de insumos, além de prever a distribuição de água via carros-pipa. A prioridade de atendimento será para comunidades ribeirinhas, indígenas e rurais, que enfrentam a redução dos níveis dos rios e igarapés, comprometendo a navegabilidade e o transporte de alimentos e medicamentos.
Os impactos já são sentidos na economia local. Segundo o documento, a redução dos rios tem causado prejuízos à pesca artesanal e aquicultura, “comprometendo o acesso aos pesqueiros, a navegabilidade, o abastecimento dos viveiros e tanques de piscicultura, a qualidade da água, o escoamento da produção e a disponibilidade de pescado, com consequente elevação dos custos da atividade”.

Além do desabastecimento, há forte preocupação com a educação e saúde em áreas isoladas. O governo alerta que a baixa dos rios pode impedir o transporte de estudantes e a entrega de merenda escolar em comunidades onde o acesso é exclusivamente fluvial, além de elevar o risco de incêndios florestais e piorar a qualidade do ar.
Especialistas reforçam o alerta. O pesquisador Foster Brown explica que a combinação de calor e falta de chuvas favorece queimadas e impactos na saúde. “Estamos entrando em uma fase em que a influência do El Niño tende a crescer. Com isso, a expectativa é de prolongamento da estação seca”, afirmou o pesquisador.

Com informações do Portal Amazônia.