Guerra no Oriente Médio pode elevar salário mínimo para R$ 1.730 em 2027, estima órgão do Senado

Inflação pressionada pelo petróleo pode elevar o salário mínimo para R$ 1.730 em 2027, segundo projeção do Senado

A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, projetou que a guerra no Oriente Médio pode impulsionar o valor do salário mínimo em 2027 para cerca de R$ 1.730. Este valor é superior aos R$ 1.717 previstos pelo governo federal no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO).

O aumento é justificado pela pressão do conflito sobre o preço do petróleo, que tem operado próximo de US$ 100 por barril, impactando a inflação brasileira através do reajuste dos combustíveis. A inflação já sentiu esse efeito em março.

O cálculo do reajuste do salário mínimo considera dois fatores: a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) nos 12 meses até novembro – conforme a Constituição – e o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos anteriores. Para 2027, o crescimento do PIB de 2025, que foi de 2,3%, já está considerado.

A projeção do governo para 2027 (R$ 1.717) se baseia em um crescimento do PIB de 2,3% e uma estimativa de INPC abaixo de 3,6%. Já a IFI estima um INPC mais elevado: 4,17% em caso de choque transitório no petróleo e 4,47% em caso de choque persistente. Com essas projeções, o salário mínimo em 2027 ficaria em R$ 1.727 (choque transitório) ou R$ 1.732 (choque persistente).

O valor final do salário mínimo em 2027 só será definido em dezembro, com a divulgação do INPC de novembro. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo serve de referência para 61,94 milhões de pessoas no Brasil, incluindo trabalhadores com contratos baseados no mínimo e beneficiários de aposentadorias e programas sociais como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

O Dieese calcula que 29,27 milhões de beneficiários do INSS têm seus rendimentos atrelados ao salário mínimo. “O peso relativo da massa de benefícios equivalentes a até um salário mínimo é de 46% e corresponde a 70,8% do total de beneficiários, segundo o Boletim Estatístico da Previdência de setembro de 2025”, informou o Dieese em janeiro deste ano.

Com informações do G1

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