Árvores gigantes na Amazônia: como sobrevivem a secas e o impacto no clima

Uma pesquisa publicada na revista Science derrubou um paradigma da botânica ao revelar que as árvores gigantes das florestas tropicais, com alturas equivalentes a prédios de 30 andares, não têm dificuldade em transportar água da raiz ao topo. Diferente do que se acreditava, esses espécimes não são mais vulneráveis a secas do que as árvores menores, graças a adaptações internas nos conduítes do xilema, que funcionam como “mangueiras maiores” para vencer a gravidade

Árvores gigantes de florestas tropicais superam limites físicos para transportar água até o topo, mostra estudo

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O estudo, que contou com a colaboração de pesquisadores da Unicamp e da Universidade de Exeter, destaca que apenas 1% das maiores árvores do planeta armazenam mais da metade do carbono em ecossistemas tropicais. No Brasil, estima-se que a Amazônia possua cerca de 55,5 milhões de árvores gigantes, concentradas principalmente em Roraima e no Escudo das Guianas, onde a disponibilidade hídrica é maior.

Para entender a resistência dessas plantas, os cientistas analisaram o impacto do El Niño de 2023-2024. Os resultados mostraram que as árvores mais altas não tiveram declínio de crescimento superior às menores durante a seca severa. Segundo o ecólogo Paulo Bittencourt, “estamos muito surpresos com o resultado do nosso estudo, verificando que elas têm um mecanismo interno de ajuste”.

A pesquisa também teve reflexos diretos na região Norte, com a capacitação de escaladores de comunidades ribeirinhas no Amapá para coleta de materiais na floresta amazônica

. Esses dados são fundamentais para aprimorar modelos de conservação e entender como a floresta reage às mudanças climáticas, visando manter o equilíbrio do ciclo de chuvas e da biodiversidade.

Atualmente, iniciativas como o “Projeto Gigante”, desenvolvido em Manaus (AM) por meio de cooperação entre o Inpa e o Cary Institute of Ecosystem Studies, buscam mapear as causas de mortalidade dessas árvores. A compreensão de como elas absorvem orvalho e neblina nas copas pode ser a chave para entender a sobrevivência da floresta em cenários de climas cada vez mais secos.

Com informações do Portal Amazônia.

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