O Comitê de Política Monetária (Copom), órgão do Banco Central (BC), determinou nesta quarta-feira (16) a redução da taxa básica de juros da economia brasileira. A Selic, que estava em 14%, caiu 0,25 ponto percentual, passando para 13,75% ao ano. A medida representa o quinto corte consecutivo do índice e a decisão foi tomada de forma unânime pelos membros do comitê.
A taxa Selic é a ferramenta fundamental utilizada pelo Banco Central para controlar as pressões inflacionárias, impactando diretamente o custo do crédito e o poder de compra, especialmente das camadas mais pobres da população.
Em nota oficial, o comitê justificou a medida: “Essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”.
Sobre a situação interna do país, o Copom destacou que os dados econômicos recentes indicam uma desaceleração gradual da atividade econômica, sobretudo em setores cíclicos, embora o cenário ainda seja resiliente e o mercado de trabalho continue aquecido.
Quanto aos preços, a nota aponta que “nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda acima da meta”.
O órgão também ressaltou que mantém o monitoramento da política fiscal brasileira. “O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, afirmou o grupo.
No plano internacional, o Copom alertou que o cenário permanece instável devido aos conflitos armados no Oriente Médio e às incertezas sobre a política monetária de economias desenvolvidas. Segundo o comitê, “tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”.
Para definir a trajetória dos juros, o Banco Central utiliza o sistema de metas. Quando as projeções de inflação convergem para a meta, há espaço para a redução da Selic; caso contrário, a tendência é a manutenção ou elevação da taxa.
Desde janeiro de 2025, com a implementação da meta contínua, o objetivo central foi fixado em 3%, com uma margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Vale lembrar que, em junho, o BC precisou emitir uma carta pública após a inflação permanecer acima da meta por seis meses consecutivos.
É importante destacar que o Banco Central baseia suas decisões em projeções futuras e não apenas nos preços atuais, pois as alterações na Selic levam de seis a 18 meses para surtir efeito total na economia. Atualmente, a instituição projeta a meta para o primeiro trimestre de 2028.
As expectativas do mercado financeiro para a inflação nos próximos anos são de 4,9% para 2026, 4,3% para 2027 e 3,80% para 2028, índices que permanecem acima da meta central estabelecida.
Com informações do G1