Pinturas rupestres no Alto Rio Negro: o que o achado revela sobre a Amazônia

Pesquisadores do Projeto Vozes da Amazônia Indígena identificaram as primeiras pinturas rupestres conhecidas pela arqueologia no lado brasileiro do Alto Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira (AM). Localizado na região conhecida como ‘Cabeça do cachorro’, o sítio arqueológico fornece provas concretas da permanência milenar dos povos originários na bacia amazônica, especificamente nos territórios dos povos Baniwa e Koripako

Vozes da Amazônia Indígena: projeto identifica primeiras pinturas rupestres no lado brasileiro do Alto Rio Negro
No infográfico, em destaque, a localização da Terra Indígena Alto Rio Negro, na “Cabeça do cachorro”, um dos três territórios abrangidos pelo Projeto Vozes. Foto: Adrya Marinho/MPEG

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As pinturas, compostas por grafismos abstratos e geométricos em tons de vermelho e amarelo, podem ter sido criadas entre 8.000 e 4.000 anos atrás. Segundo o arqueólogo Raoni Valle, o achado sugere um “estilo novo de pinturas rupestres amazônicas”, onde a tinta foi utilizada para reativar a sacralidade de formações geológicas naturais. Devido ao valor cultural e espiritual, a comunidade indígena decidiu que o acesso ao local permaneça restrito aos pesquisadores do projeto

Os pesquisadores Baniwa (Sidney, Apolinário e Giovani) descansam na encosta de serra, com o médio rio Içana ao fundo. Foto: Raoni Valle/Projeto Vozes

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O estudo é coordenado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e adota uma abordagem intercultural, unindo a ciência acadêmica ao saber tradicional. “Não estamos descobrindo e explorando o desconhecido e o abandonado, estamos, sim, generosamente sendo recebidos como aprendizes”, afirma Raoni Valle, destacando que esses locais já eram conhecidos pelos ancestrais indígenas através de registros orais

Apolinário Baniwa coloca a escala de cores perto das primeiras pinturas encontradas na prospecção. Foto: Raoni Valle/Projeto Vozes

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Além da arqueologia, o Projeto Vozes atua nas TIs Kaiapó (PA) e do Xingu (MT), focando na preservação da biodiversidade e na documentação de línguas indígenas. Para o pesquisador Artur Walipere, a documentação arqueológica é fundamental para “fortalecer e valorizar a nossa língua e a nossa cultura”, transformando a pesquisa em material didático para as futuras gerações nas comunidades

Artur Garcia Gonçalves, pesquisador indígena, linguista integrante da pesquisa intercultural. Foto: Laryssa Gaynett/Projeto Vozes

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A iniciativa busca criar pontes entre a academia e a ciência indígena para enfrentar desafios contemporâneos, como as mudanças climáticas. A coordenadora Helena Lima ressalta que a floresta é um “mosaico de florestas culturais”, resultado de milênios de interação entre humanos e ambiente, e que amplificar essas vozes locais é essencial para a preservação do planeta

Pesquisadora e bolsista indígena do Vozes preparam área para escavação de sítio durante expedição no ano passado. Laryssa Gaynett/Projeto Vozes

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Com informações do Portal Amazônia.

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