Pesquisadores do Projeto Vozes da Amazônia Indígena identificaram as primeiras pinturas rupestres conhecidas pela arqueologia no lado brasileiro do Alto Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira (AM). Localizado na região conhecida como ‘Cabeça do cachorro’, o sítio arqueológico fornece provas concretas da permanência milenar dos povos originários na bacia amazônica, especificamente nos territórios dos povos Baniwa e Koripako

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As pinturas, compostas por grafismos abstratos e geométricos em tons de vermelho e amarelo, podem ter sido criadas entre 8.000 e 4.000 anos atrás. Segundo o arqueólogo Raoni Valle, o achado sugere um “estilo novo de pinturas rupestres amazônicas”, onde a tinta foi utilizada para reativar a sacralidade de formações geológicas naturais. Devido ao valor cultural e espiritual, a comunidade indígena decidiu que o acesso ao local permaneça restrito aos pesquisadores do projeto

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O estudo é coordenado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e adota uma abordagem intercultural, unindo a ciência acadêmica ao saber tradicional. “Não estamos descobrindo e explorando o desconhecido e o abandonado, estamos, sim, generosamente sendo recebidos como aprendizes”, afirma Raoni Valle, destacando que esses locais já eram conhecidos pelos ancestrais indígenas através de registros orais

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Além da arqueologia, o Projeto Vozes atua nas TIs Kaiapó (PA) e do Xingu (MT), focando na preservação da biodiversidade e na documentação de línguas indígenas. Para o pesquisador Artur Walipere, a documentação arqueológica é fundamental para “fortalecer e valorizar a nossa língua e a nossa cultura”, transformando a pesquisa em material didático para as futuras gerações nas comunidades

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A iniciativa busca criar pontes entre a academia e a ciência indígena para enfrentar desafios contemporâneos, como as mudanças climáticas. A coordenadora Helena Lima ressalta que a floresta é um “mosaico de florestas culturais”, resultado de milênios de interação entre humanos e ambiente, e que amplificar essas vozes locais é essencial para a preservação do planeta

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Com informações do Portal Amazônia.