Protagonismo indígena em Manaus: telas, lideranças e cultura

A valorização das vozes indígenas e o fortalecimento de novas lideranças foram o foco de um debate realizado na sede da Rede Amazônica em Manaus (AM). O encontro, em alusão ao mês dos povos indígenas, reuniu a ativista Eliza Sateré Mawé, o professor Raimundo Nonato Pereira da Silva e outras representantes indígenas, com mediação da jornalista Ruthiene Bindá.

O debate evidenciou como a presença indígena nos meios de comunicação, especialmente nas redes sociais, amplia a visibilidade de histórias e culturas antes invisibilizadas. Para Eliza Sateré Mawé, as telas são essenciais para conectar povos e territórios: “Por meio das telas eu posso conhecer e me identificar com a luta de outras mulheres, lutas parecidas com a nossa, que fortalecem com o protagonismo”.

Um dos momentos marcantes foi a apresentação de Elizete Tikuna, que cantou o Hino Nacional Brasileiro na língua Tikuna. A discussão também destacou o papel fundamental das mulheres indígenas como protagonistas, tanto dentro quanto fora das comunidades.

A juventude indígena e seu protagonismo nas redes sociais também foram abordados, com a ressalva de que, embora ofereçam visibilidade, também expõem os jovens a críticas e preconceitos. Eliza Sateré Mawé ressaltou: “Quando a juventude começa a ganhar esse protagonismo, já vem aquele olhar de que é um desocupado. Não enxergam que é uma forma de mostrar sua luta e como ele vê o mundo”.

Participantes defenderam a tecnologia como ferramenta de autonomia e construção de narrativas: “O celular é uma ferramenta onde nós podemos nos expressar, mostrar a nossa cultura e contar a nossa própria história”, destacou Eliza.

Elizete Tikuna. Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia

A necessidade de combater o preconceito histórico e valorizar a identidade indígena foi um ponto central, com o apelo para que a sociedade reconheça a naturalidade e a diversidade dos povos originários: “Nós não somos um bicho de sete cabeças, nós somos que nem vocês, mas do nosso jeito. A gente não se fantasia, a gente não se caracteriza, a gente é natural. Dizer quem é, mostrar e dizer, viver o que sou e saber quem sou”, afirmou Eliza.

Com informações do Portal Amazônia.

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