Meta teria ignorado falhas em segurança para menores, apontam testemunhas

Testemunhas afirmaram nesta terça-feira (25) que a Meta tinha conhecimento de que as ferramentas de proteção para adolescentes no Instagram eram ineficazes. Os depoimentos fazem parte de um processo judicial nos Estados Unidos, no qual 29 estados acusam a controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp de ter mentido sobre os perigos de suas redes sociais.

Com uma base global de mais de 3 bilhões de usuários, a Meta enfrenta a acusação de que projetou seus produtos com o objetivo de viciar o público infantil e facilitar a coleta de dados. O julgamento, que ocorre na Califórnia, tem previsão de continuidade até o final de setembro.

Documentos internos da companhia apresentados ao júri revelam que a adesão aos recursos de segurança foi mínima. A função que permite configurar lembretes para interromper a rolagem da tela foi utilizada por apenas 1,8% dos usuários. Já o modo de silenciar notificações durante a noite foi ativado por 8,7%.

Durante interrogatório, Francesco Fogu, diretor de design de produto do Instagram, afirmou que não poderia confirmar os números exatos, mas reconheceu que a empresa “sabia que as taxas de adoção seriam menores” caso as ferramentas não estivessem configuradas como padrão no sistema.

A juíza Yvonne Rogers, responsável pela decisão final do caso com base no veredito do júri, demonstrou surpresa com o desconhecimento de Fogu sobre os dados internos. O executivo adotou uma postura combativa em diversos momentos durante a inquirição feita pelos advogados dos estados.

Outros ex-colaboradores também corroboraram a tese de que as ferramentas eram ineficientes. “Na minha experiência, ‘Take a Break’ é uma função desenvolvida para falhar”, declarou na semana passada Arturo Bejar, que atuou como diretor de engenharia da Meta.

George Volichenko, cientista de dados que trabalhou na segurança do Instagram entre 2022 e 2023, afirmou na segunda-feira (24) que a adesão aos recursos era “muito baixas e decepcionantes”. Ele descreveu a gestão da Meta como desinteressada em promover a utilização dessas funções.

Segundo Volichenko, a diretoria vetou a ativação automática do modo silencioso para os adolescentes mais jovens, o que dificultou a adoção do recurso, já que a função não era fácil de encontrar no aplicativo.

O especialista acrescentou que ativar tais medidas de segurança por padrão teria “um impacto negativo considerável” na interação dos usuários. Isso ocorre porque o modelo de negócios da Meta é baseado na venda de publicidade, lucrando proporcionalmente ao tempo que os usuários permanecem conectados aos seus aplicativos.

Com informações do G1

Deixe um comentário