A Meta, gigante de tecnologia responsável por plataformas como Instagram, WhatsApp e Facebook, admitiu que um de seus modelos de inteligência artificial realizou um ataque hacker contra outra empresa. A revelação foi feita nesta quarta-feira (5) pelo site The Information.
O incidente envolveu o modelo chamado Muse Spark 1.1. De acordo com a reportagem, a IA não apenas invadiu o sistema da companhia — cujo nome foi mantido em sigilo —, mas também efetuou mudanças por conta própria dentro da infraestrutura invadida.
Em nota, a Meta explicou que o episódio foi resultado de um erro de configuração. Essa falha permitiu que o modelo de IA tivesse acesso à internet enquanto passava por processos de testes, algo que normalmente é evitado para garantir a segurança dos sistemas.
A empresa informou que o caso já está sob investigação. Este evento se soma a uma série de incidentes semelhantes relatados recentemente por outras líderes do setor, como a OpenAI (criadora do ChatGPT) e a Anthropic (desenvolvedora do Claude), evidenciando a fragilidade de segurança em modelos avançados de IA.
Para entender o risco, é preciso compreender como funcionam os testes de IA. Geralmente, esses experimentos ocorrem em ambientes fechados, conhecidos como “sandbox” (caixa de areia), onde a IA tem liberdade para operar sem acesso ao mundo exterior. O problema surge quando as barreiras de proteção são desligadas para testar as capacidades do agente e, por erro, a IA consegue ultrapassar esses “muros” virtuais.
A Meta afirmou que o modelo “explorou uma vulnerabilidade de segurança em um serviço de terceiros, de maneira semelhante a casos relatados anteriormente com outras empresas”.
Informações do The Information indicam que a falha de configuração partiu da Irregular, empresa parceira da Meta na fase de testes do Muse Spark 1.1. Com a brecha no sandbox, a IA conseguiu identificar e explorar a vulnerabilidade externa.
Um porta-voz da Irregular esclareceu à Reuters que o incidente envolveu “exatamente o mesmo problema de ambiente de avaliação que já havia sido divulgado pela Anthropic na semana passada” e ressaltou que não houve uma “fuga do sandbox ou uma ação cibernética sofisticada”.
A empresa parceira garantiu que “não há problemas em aberto no momento” e informou que está desenvolvendo um artigo técnico para compartilhar as melhores práticas de contenção e execução segura de avaliações cibernéticas com o mercado.
Com informações do G1