Brasil lidera ranking mundial de juros reais mesmo após queda na Selic

O Brasil continua ocupando o topo do ranking global de juros reais, mesmo após a decisão mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Na última quarta-feira (5), o órgão anunciou a redução da taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14% ao ano. Este movimento marca o quarto corte consecutivo na taxa básica de juros do país.

Para entender a posição do Brasil, é preciso diferenciar o juro nominal do juro real. Enquanto a Selic a 14% representa o juro nominal, o juro real é o rendimento líquido, calculado subtraindo-se a inflação prevista para os próximos 12 meses da taxa nominal. De acordo com dados compilados pelo MoneYou, o juro real brasileiro ficou em 9,30%, a maior marca entre as nações analisadas.

No ranking global, a Rússia aparece na segunda posição, com uma taxa real de 9,09%, seguida pela Colômbia, que registrou 6,16%. O relatório do MoneYou destaca que a alta nas expectativas de inflação em diversos países, impulsionada pelas incertezas geopolíticas e conflitos no Oriente Médio, acabou reduzindo os juros reais na maioria das economias mundiais.

A Argentina, que enfrenta um cenário econômico instável e inflação extremamente elevada sob a gestão de Javier Milei, apresenta oscilações constantes no ranking. No levantamento deste mês, o país vizinho ficou na quinta posição, com um juro real de 4,51%.

A trajetória de queda da Selic no Brasil ocorre em um momento delicado. A retomada de conflitos no Oriente Médio elevou os preços internacionais do petróleo, o que pode gerar pressão sobre os preços dos combustíveis internamente e, consequentemente, impactar a inflação brasileira.

Já na análise de juros nominais — ou seja, a taxa bruta sem o desconto da inflação projetada —, o Brasil divide a terceira posição com a Rússia, ambos com 14%. No topo desta lista específica estão a Turquia, com 37%, e a Argentina, com 29%. Em contrapartida, economias desenvolvidas como a Suíça registram juro nominal de 0%, evidenciando a disparidade da política monetária brasileira em relação ao resto do mundo.

Com informações do G1

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